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O que sabemos sobre edição genética?

A genética é uma das disciplinas científicas mais fascinantes, pois estuda como as características são transmitidas de uma geração para outra e como os genes, as unidades de herança, definem o desenvolvimento, a saúde e o comportamento dos seres vivos. Desde a descoberta do ADN até às técnicas revolucionárias de edição genética, a genética evoluiu de forma impressionante em pouco mais de um século, transformando a nossa compreensão da biologia e revolucionando áreas como a medicina, a agricultura e a biotecnologia. 

Os primeiros passos: Mendel e as leis da herança 

O estudo da hereditariedade começou muito antes de haver uma compreensão clara dos genes ou do DNA. Em meados do século XIX, o monge e cientista Gregor Mendel, considerado o “pai da genética”, realizou experiências com plantas de ervilha no jardim do seu mosteiro. Mendel cruzou plantas com características diferentes, como cor da flor e formato da semente, e registrou meticulosamente as características que apareceram nas gerações subsequentes. Através de suas observações, Mendel formulou as leis da herança, estabelecendo que as características são transmitidas de pais para filhos por meio de “fatores hereditários” que hoje conhecemos como genes. 

Embora as descobertas de Mendel tenham lançado as bases para a genética moderna, o seu trabalho passou despercebido durante várias décadas, até ser redescoberto no início do século XX por cientistas que começaram a estudar a hereditariedade de uma perspectiva mais científica. Essa redescoberta motivou a busca pelas moléculas responsáveis ​​pela transmissão da informação genética de geração em geração. 

A busca por material hereditário: a descoberta do DNA 

Durante a primeira metade do século XX, os cientistas suspeitaram que os genes responsáveis ​​pela hereditariedade residiam nos cromossomas, mas a composição exacta do material hereditário permaneceu um mistério. Em 1928, o cientista Frederick Griffith realizou uma experiência chave na qual observou que as bactérias podiam transformar a sua identidade através de um “princípio transformador” de uma estirpe para outra. Anos mais tarde, em 1944, os cientistas Oswald Avery, Colin MacLeod e Maclyn McCarty identificaram que o “princípio transformador” era o ácido desoxirribonucléico, ou DNA. 

No entanto, a estrutura e o mecanismo do DNA ainda precisavam ser confirmados. Este avanço ocorreu em 1953, quando James Watson e Francis Crick, com o apoio crucial de imagens de difração de raios X obtidas por Rosalind Franklin e Maurice Wilkins, propuseram a estrutura de dupla hélice do DNA. Esta estrutura revelou como o DNA poderia replicar-se com precisão e como continha informação genética. A dupla hélice é composta por duas cadeias de nucleotídeos, compostas por fosfatos, açúcares e quatro bases nitrogenadas (adenina, timina, citosina e guanina), que se emparelham em uma sequência específica e funcionam como “código” para a síntese proteica. 

O código genético e o Projeto Genoma Humano 

Após a descoberta da estrutura do DNA, os cientistas começaram a desvendar o código genético: o sistema de codificação que determina como as sequências de bases do DNA especificam a sequência de aminoácidos numa proteína. Este código é universal para todos os seres vivos e representa a base da vida na Terra. Na década de 1960, os pesquisadores conseguiram decifrar o código genético, permitindo uma melhor compreensão de como os genes são traduzidos em proteínas e como as proteínas determinam a estrutura e a função dos organismos. 

À medida que o conhecimento sobre genética aumentava, os cientistas estabeleceram o ambicioso objetivo de mapear todo o genoma humano, ou seja, identificar a sequência exata de todos os genes do DNA humano. Em 1990, foi lançado oficialmente o Projeto Genoma Humano, um esforço internacional envolvendo cientistas de todo o mundo. Após 13 anos de pesquisas, em 2003, o projeto anunciou a conclusão da primeira sequência completa do genoma humano. Este marco foi revolucionário, proporcionando aos investigadores um “mapa” genético da espécie humana, com profundas implicações para a medicina, a genética e a biologia evolutiva. 

Biotecnologia e modificação genética 

Com a descoberta do DNA e do código genético surgiram as primeiras técnicas de modificação genética. Na década de 1970, os cientistas desenvolveram técnicas de engenharia genética que permitiram a inserção de genes específicos nos organismos. Esta conquista marcou o início da biotecnologia moderna e abriu caminho para a criação de organismos geneticamente modificados (OGM), como plantas e bactérias destinadas a produzir produtos de interesse comercial e medicinal. 

Um marco nessa área foi a produção de insulina humana por meio de bactérias geneticamente modificadas. Ao inserir o gene da insulina humana nas bactérias, os cientistas conseguiram fazê-las produzir insulina idêntica à insulina humana, o que revolucionou o tratamento da diabetes. Desde então, a engenharia genética permitiu o desenvolvimento de uma ampla variedade de produtos biotecnológicos, incluindo vacinas, hormônios e alimentos geneticamente modificados. 

Edição genética: a ascensão do CRISPR e o futuro da genética 

O avanço mais recente e promissor no campo da genética é a tecnologia de edição de genes conhecida como CRISPR-Cas9. Esta técnica, descoberta em 2012 pelas cientistas Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier, permite aos investigadores editar genes com precisão, rapidez e baixo custo. CRISPR-Cas9 é uma ferramenta baseada no sistema de defesa de certas bactérias, que utilizam esta técnica para identificar e cortar sequências específicas de DNA viral. 

Nas mãos de pesquisadores, o CRISPR permite modificar ou deletar genes em organismos vivos, oferecendo o potencial de corrigir mutações genéticas responsáveis ​​por doenças hereditárias, como a fibrose cística ou a anemia falciforme. A sua utilização também está a ser investigada para melhorar culturas, desenvolver terapias contra o cancro e estudar doenças infecciosas, como o VIH. A edição genética abriu novas possibilidades no tratamento de doenças genéticas e representa uma das áreas de maior pesquisa e controvérsia da atualidade. 

Controvérsias éticas e desafios da genética moderna 

Embora as aplicações da genética e da edição genética ofereçam grandes benefícios, elas também levantam questões éticas complexas. A possibilidade de modificar o genoma humano levantou preocupações sobre o uso potencial do CRISPR para criar “bebês projetados”, selecionando características genéticas específicas em embriões humanos. Em 2018, um cientista chinês afirmou ter editado os genes de dois bebés para os tornar resistentes ao VIH, provocando uma reação negativa na comunidade científica e destacando a necessidade de regulamentações éticas na edição genética. 

Além disso, a modificação genética em plantas e animais levanta preocupações ambientais e de segurança alimentar, uma vez que os efeitos a longo prazo dos OGM ainda não são totalmente compreendidos. A ética na genética continua a ser um tema de debate, e as comunidades científicas, políticas e sociais devem trabalhar em conjunto para encontrar um equilíbrio entre o avanço científico e o respeito pela vida e pelo ambiente. 

A história da genética, desde as experiências de Mendel até à edição genética CRISPR, é uma prova do poder da ciência para transformar a nossa compreensão da vida. Os avanços na genética permitiram-nos explorar como os genes determinam as características dos seres vivos e revolucionaram campos como a medicina e a biotecnologia. 

Com a tecnologia de edição genética em pleno desenvolvimento, a genética vive um momento histórico que promete grandes benefícios para a humanidade. No entanto, estes avanços também devem ser acompanhados de reflexão ética e de regulamentações adequadas para garantir que a genética seja utilizada de forma responsável. A genética não só nos ajuda a compreender quem somos, mas também como podemos construir um futuro em que as ferramentas genéticas sejam utilizadas para melhorar a qualidade de vida e proteger a biodiversidade do planeta. 

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