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Áreas de risco: A geografia pode influenciar o câncer de mama?

Nos últimos anos, estudos epidemiológicos começaram a lançar luz sobre uma possível ligação entre a geografia e o risco de desenvolver cancro da mama, sugerindo que certos factores ambientais e socioeconómicos ligados à localização poderiam influenciar a prevalência desta doença nas mulheres. Diversas pesquisas mostram que a incidência do câncer de mama não é uniforme em todo o mundo; Existem regiões onde a frequência desta doença é consideravelmente maior em comparação com outras. Isto levanta uma questão relevante: o local onde vivemos pode afectar o nosso risco de desenvolver cancro da mama? A resposta, embora não seja definitiva, revela uma série de factores que parecem aumentar ou reduzir o risco dependendo da localização e do ambiente. 

Os países desenvolvidos, como os Estados Unidos e grande parte da Europa Ocidental, têm uma das taxas mais elevadas de cancro da mama. Isto deve-se em parte ao maior acesso ao diagnóstico e à tecnologia de detecção precoce, que aumenta os casos detectados, mas não explica completamente as diferenças na incidência. Os factores ambientais, como a exposição a poluentes industriais e químicos, parecem desempenhar um papel importante. Nas zonas urbanas e altamente industrializadas, tem-se observado maior exposição a substâncias tóxicas e desreguladores endócrinos, presentes em produtos plásticos, pesticidas e outros compostos industriais, que podem alterar os níveis hormonais e aumentar o risco de cancro da mama. Assim, o ambiente urbano, com a sua carga de poluição ambiental, parece ser um factor de risco adicional para as mulheres em comparação com aquelas que vivem em ambientes rurais ou menos industrializados. 

A dieta e o estilo de vida, influenciados pela cultura e pelo ambiente geográfico, também contribuem para estas diferenças na prevalência do cancro da mama. Em regiões onde as dietas são baseadas em alimentos frescos e naturais, como em certos países da Ásia e da bacia do Mediterrâneo, a incidência do cancro da mama é menor. As dietas tradicionais, como a dieta mediterrânica, rica em frutas, vegetais, cereais integrais e gorduras saudáveis ​​como o azeite, oferecem um efeito protetor contra vários tipos de cancro. Em contrapartida, nos países ocidentais, onde o consumo de alimentos processados ​​ricos em gorduras saturadas é mais comum, o risco de cancro da mama é maior. Além disso, os níveis de obesidade, que também variam de acordo com a geografia e o contexto socioeconómico, estão associados a um risco aumentado de desenvolver cancro da mama, especialmente em mulheres na pós-menopausa. 

O acesso aos cuidados de saúde e aos programas de prevenção também são factores geograficamente variados que afectam a incidência do cancro da mama. Nas zonas rurais ou nos países em desenvolvimento, onde o acesso às mamografias e ao tratamento adequado pode ser limitado, muitas mulheres não recebem diagnóstico precoce, contribuindo para uma menor taxa de sobrevivência. No entanto, nestas mesmas áreas, a prevalência do cancro da mama pode ser menor devido a factores de estilo de vida, como níveis mais elevados de actividade física e menor consumo de alimentos processados, sugerindo que o acesso à tecnologia avançada não é o único factor determinante. 

O clima e a latitude também parecem desempenhar um papel. Estudos demonstraram que em regiões com menor exposição solar, como os países nórdicos, os níveis de vitamina D tendem a ser mais baixos, o que pode aumentar o risco de cancro da mama. A vitamina D é importante na regulação do crescimento celular e a sua deficiência tem sido associada ao aumento da incidência de vários tipos de cancro, incluindo o cancro da mama. Isto indica que as mulheres que vivem em latitudes com pouca luz solar poderiam beneficiar de suplementos de vitamina D ou do aumento da exposição solar como medida preventiva. 

A genética é, sem dúvida, um fator importante no desenvolvimento do cancro da mama, existindo populações que apresentam maior predisposição genética. No entanto, esta predisposição genética interage com factores ambientais e de estilo de vida, o que significa que a geografia e o ambiente também afectam as mulheres com risco hereditário. Por exemplo, em populações de origem judaica Ashkenazi, onde certas mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2 são mais comuns, o risco de cancro da mama é elevado. Contudo, o estilo de vida e o acesso aos serviços de saúde nas áreas onde vivem também impactam a real incidência da doença. 

Finalmente, o nível socioeconómico, muitas vezes ligado à geografia, influencia o risco de cancro da mama. Nas regiões onde as mulheres têm carreiras de grande procura e tendem a adiar a maternidade, como é o caso em muitas áreas urbanas e desenvolvidas, observa-se uma maior incidência de cancro da mama. A falta de gravidez e amamentação está associada a um risco aumentado, uma vez que as alterações hormonais durante a gravidez e a amamentação podem ter um efeito protetor a longo prazo. Além disso, o estresse crônico relacionado a um estilo de vida urbano acelerado também é um fator que tem sido associado a um risco aumentado desta doença. 

Em conclusão, embora o cancro da mama seja uma doença multifatorial influenciada por fatores genéticos, hormonais e de estilo de vida, a geografia e o ambiente desempenham um papel importante. A localização geográfica pode influenciar a exposição a poluentes, a dieta, os níveis de actividade física, o acesso a cuidados médicos e outros factores que, em conjunto, afectam a prevalência desta doença entre as mulheres. Compreender a relação entre o ambiente e o cancro da mama pode ajudar a desenvolver estratégias de prevenção mais específicas e regionalmente adequadas, e ajudar as mulheres a tomar decisões informadas sobre a sua saúde com base no ambiente em que vivem.

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