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O que é medicina personalizada e como ela mudará os tratamentos médicos?

Em apenas duas décadas, o mapa do genoma humano tornou-se uma bússola clínica. Essa transição deu origem à medicina personalizada — ou de precisão —, um modelo que adapta diagnósticos, terapias e dosagens à biologia de cada indivíduo. O resultado promete remodelar a prática médica: desde a escolha do medicamento certo até a prevenção de doenças antes que elas apareçam.

O que é medicina personalizada?

Em contraste com o paradigma "tamanho único", a medicina personalizada integra dados genômicos, proteômicos, de estilo de vida e ambientais para traçar um retrato molecular do paciente. Isso identifica subgrupos que respondem melhor — ou pior — a um medicamento, reduz os efeitos adversos e, às vezes, leva ao desenvolvimento de terapias inteiramente novas.

Genômica como pedra angular

A redução nos custos de sequenciamento — de € 100.000 em 2003 para cerca de € 200 — permite que países como a Espanha promovam iniciativas públicas de genômica de precisão, como o projeto IMPaCT. O objetivo: bancos de dados populacionais que auxiliem hospitais a interpretar variantes raras e selecionar terapias direcionadas.

Oncologia de Precisão

A oncologia foi a primeira área a adotar essa abordagem. O uso de trastuzumabe em tumores de mama HER2+ ou inibidores de EGFR em câncer de pulmão demonstrou que a classificação de tumores por assinaturas genéticas pode transformar um câncer letal em uma doença crônica.

Edição Genética e Terapias Celulares

O salto mais comentado veio com a aprovação europeia do Casgevy, a primeira terapia baseada em CRISPR/Cas9 para anemia falciforme e beta-talassemia. O tratamento modifica as células-tronco de um paciente ex vivo e pode beneficiar aproximadamente 35.000 pessoas na Europa.

Vacinas de mRNA sob medida para o tumor


Outro pilar emergente são as vacinas antitumorais de mRNA personalizadas. Em abril de 2025, a Moderna e a Merck anunciaram que seu candidato mRNA-4157 reduziu o risco de recorrência em melanoma e câncer de pulmão em 75%. Roche e BioNTech relataram respostas duradouras em metade dos pacientes com câncer de pâncreas tratados com cevumerana autogênica.


IA e Big Data Clínico


Essa riqueza de informações seria impossível de gerenciar sem inteligência artificial. Algoritmos de aprendizado profundo já analisam históricos médicos, imagens e sequências genômicas para prever quem desenvolverá insuficiência cardíaca ou qual combinação de medicamentos funcionará melhor. Projetos de "gêmeos digitais" testam tratamentos virtuais antes de administrá-los.


Prevenção de Doenças: Uma Mudança de Ciclo


A personalização também abre as portas para a medicina preditiva. Escores de risco poligênico, calculados com milhões de variantes, estimam a probabilidade de diabetes tipo 2 ou doença cardíaca isquêmica com anos de antecedência. Se o risco exceder um determinado limite, o médico pode antecipar a administração de medicamentos hipolipemiantes ou intensificar o plano de exercícios e dieta. Na Catalunha, o programa GenRISQ já incorpora esses cálculos à atenção primária e identificou centenas de pacientes de alto risco que recebem monitoramento intensivo e aconselhamento personalizado antes do aparecimento dos primeiros sintomas.


Farmacogenômica: A Dose Certa


A personalização também aprimora a medicina cotidiana. Até 30% dos europeus são portadores de variantes do gene CYP2C19 que limitam a eficácia do clopidogrel; um simples teste genético permite que mudem para ticagrelor ou prasugrel e previnam ataques cardíacos. Genes como TPMT, DPYD e UGT1A1 já estão incluídos em prescrições oncológicas de rotina.


Desafios Éticos e Econômicos


A revolução não está isenta de sombras. O preço — Casgevy ultrapassa US$ 2 milhões — e a falta de diversidade nos bancos de genomas representam problemas de acesso e equidade. A privacidade genética e a necessidade de uma infraestrutura capaz de armazenar petabytes de dados completam a lista de desafios.
O Sistema Nacional de Saúde está testando modelos de pagamento por resultados e acordos de compartilhamento de riscos. As comunidades autônomas estão fortalecendo o treinamento em bioinformática, enquanto hospitais e universidades estão criando laboratórios para produzir terapias celulares sob as normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF).
Até 2030, a Comissão Europeia pretende que 60% dos cidadãos tenham seu genoma completo em seus prontuários médicos. Isso facilitará a triagem personalizada: colonoscopias antes ou depois dos 50 anos, dependendo do risco poligênico, ultrassons cardíacos para portadores de variantes MYH7 e a administração preventiva de vacinas de mRNA em indivíduos com predisposição hereditária ao câncer.

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