
O FC Porto iniciou a sua participação no Mundial de Clubes 2025 com um empate sem golos frente ao Palmeiras brasileiro, num jogo muito disputado que deixou sensações contraditórias. Embora a equipa portuguesa não tenha conseguido somar três pontos, conseguiu travar um dos adversários mais sólidos do Grupo A num duelo em que a defesa, a tática e a figura inesperada de Cláudio Ramos como guarda-redes titular foram fundamentais para garantir um ponto de ouro.
Enfrentar o Palmeiras numa estreia mundialista não é tarefa fácil. A equipa brasileira, treinada por Abel Ferreira e vencedora de várias edições da Copa Libertadores, chegou ao torneio como uma das favoritas para passar à fase seguinte. Com um plantel repleto de nomes consagrados e um estilo de jogo definido baseado na posse de bola, verticalidade pelas alas e pressão alta, o Verdao impôs o ritmo desde os primeiros minutos.
No entanto, o Porto não se intimidou. Sob a direção do técnico argentino Martín Anselmi, os dragões portugueses optaram por um esquema pragmático, compacto e reativo. Com uma defesa de cinco homens, linhas muito próximas e um bloco médio-baixo, o objetivo era claro: resistir ao cerco brasileiro e buscar suas oportunidades no contra-ataque ou em jogadas de bola parada.
A grande surpresa na equipa titular do Porto foi a inclusão de Cláudio Ramos na baliza, substituindo o habitual Diogo Costa, que ficou de fora à última hora devido a problemas físicos. Longe de hesitar, Ramos destacou-se como o grande protagonista do encontro para a equipa portuguesa.
Na primeira parte, Ramos sustentou a sua equipa com três intervenções decisivas: uma defesa com a mão após um remate de Raphael Veiga, um desvio à queima-roupa de um remate de Endrick e uma defesa espetacular após um cabeceamento de Murilo. Graças aos seus reflexos e capacidade de antecipação, o marcador manteve-se imaculado, apesar dos ataques incessantes do Palmeiras.
Apesar do domínio territorial da equipa paulista, o Porto também deixou sinais de perigo. Em várias fases do jogo, sobretudo no início da segunda parte, os portugueses ganharam metros e colocaram em apuros a defesa brasileira. João Mário e Wendell projetaram-se pelas laterais, e o jovem Martim Fernandes teve uma das oportunidades mais claras do encontro com um cabeceamento após um canto que obrigou Weverton a intervir com reflexos felinos.
Anselmi apostou num bloco sólido no meio-campo com Eustáquio, Grujić e Varela, que cortaram os circuitos internos e minimizaram a influência dos meias-atacantes brasileiros. Embora o Porto não tenha tido muita posse de bola, soube desacelerar o jogo e quebrar o ritmo fluido do Palmeiras. No ataque, Evanilson e Francisco Conceição procuraram constantemente as costas dos centrais adversários, embora sem sucesso final.
Se algo ficou claro neste jogo foi que o FC Porto chegou ao Mundial de Clubes disposto a competir com inteligência. O bloco defensivo foi exemplar. Otávio e Pepe, veterano de mil batalhas, lideraram a defesa com desenvoltura e disciplina. A coordenação nas substituições, as coberturas nas laterais e a agressividade nos duelos individuais foram fundamentais para manter a baliza invicta.
O trabalho sem bola foi coletivo e sacrificado. Cada jogador do Porto cumpriu o seu papel com empenho, especialmente no último terço do campo, onde o Palmeiras tentou com cruzamentos laterais e remates de fora, mas sem a clareza necessária para quebrar o cerco defensivo português.
O empate final deixou o Porto com uma mistura de satisfação e ambição. Da perspectiva portuguesa, travar o Palmeiras numa estreia internacional destas características é uma conquista importante. O resultado mantém intactas as opções de qualificação e reforça a moral de uma equipa que chegou com menos pressão mediática do que outros gigantes do torneio.
Com este empate, todas as equipas do Grupo A — Palmeiras, Porto, Inter Miami e Al Ahly — somam um ponto após os seus respetivos jogos de estreia. Isto deixa o grupo completamente em aberto para a segunda jornada.
O próximo desafio do Porto será contra o Inter Miami de Lionel Messi na quinta-feira, 19 de junho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Um duelo que poderá marcar o destino dos portugueses na competição e onde precisarão novamente da sua melhor versão defensiva, embora também se espere um salto qualitativo na sua fase ofensiva.