
Num dos jogos mais vibrantes e caóticos do Mundial de Clubes de 2025, o FC Porto e o Al Ahly disputaram um empate 4-4 que teve de tudo, desde reviravoltas, um hat-trick, um golo agonizante e uma despedida amarga para ambas as equipas. O resultado, tão espetacular quanto estéril, confirmou a eliminação de portugueses e egípcios num Grupo A dominado por Inter Miami e Palmeiras, que empataram 2-2 no outro jogo do dia e garantiram o seu lugar nos oitavos de final.
No MetLife Stadium, com mais de 70.000 espectadores nas arquibancadas, foi um espetáculo a ser visto. Apesar de o resultado final não ter sido suficiente para avançar no torneio, os adeptos foram brindados com um duelo aberto, cheio de emoções, erros defensivos e momentos para recordar. Um tributo ao futebol de ataque... e à falta de controlo.
A partida começou em ritmo acelerado. Desde o primeiro minuto, o Al Ahly mostrou a sua ambição de sair para o jogo. E não demorou muito para marcar. O dinamarquês-palestiniano Wessam Abou Ali abriu o marcador aos seis minutos, aproveitando a falta de coordenação da defesa portuguesa. A sua forte pressão e oportunismo voltaram a fazer efeito aos 18 minutos, quando repetiu a fórmula após um erro de distribuição de bola do Porto. Estava feito o 0-2 e a equipa africana sonhava com a proeza.
Mas o Porto, ferido no seu orgulho, reagiu como fazem as grandes equipas. Rodrigo Mora, aos 25 minutos, rematou cruzado após uma jogada individual. Ainda antes do intervalo, William Gomes empatou a partida a 2-2 com um remate de cabeça após um canto de Francisco Conceição. Em apenas 20 minutos, os portugueses empataram um jogo que parecia estar a fugir ao controlo.
Longe de abrandar o ritmo, a segunda parte foi mais intensa. Abou Ali, em grande forma, completou o seu hat-trick aos 53 minutos com um golo de grande penalidade, após falta cometida por Otávio. Estava feito o 3-2 para o Al Ahly e parecia que tudo ia acabar. No entanto, o Porto não se deixou abater sem dar luta.
O novo jovem Samu Aghehowa empatou aos 64 minutos, finalizando uma jogada de equipa que começou no seu próprio campo. O jogo, com as duas equipas no ataque, deixava espaços e oferecia um festival de oportunidades em ambas as áreas.
Aos 78 minutos, o Ahly voltou a ficar em vantagem. Mohamed Ali Ben Romdhane apanhou uma bola perdida na entrada da área e rematou para o canto superior da baliza de Cláudio Ramos. O placar de 4 a 3 levou o banco de reservas egípcio ao delírio. Mas ainda havia um último lance de emoção.
Quando tudo parecia estar acabado, apareceu o eterno. Pepe, o veterano defesa de 42 anos, símbolo de garra e coragem, atirou-se para a área adversária num lance de bola parada. Foi aos 90+2 minutos que, após um cruzamento de Galeno, o português subiu para cabecear e fazer o 4-4. Um grito de alívio, frustração e orgulho. O seu festejo, com os braços no ar, resumiu o que foi este jogo: um hino à intensidade e à resiliência.
Com o empate, o FC Porto terminou a sua participação no Grupo A com 2 pontos, insuficientes para apanhar o Inter Miami (5) e o Palmeiras (5). Para a equipa portuguesa, o torneio deixa um sentimento agridoce. Houve empenho, golos e bons momentos, mas também desconexões defensivas, falta de equilíbrio e falta de decisão em momentos-chave.
O treinador Vítor Bruno Anselmi, questionado na imprensa portuguesa pela falta de estrutura tática, assumiu a responsabilidade após o jogo: "Não estivemos à altura na defesa. Marcámos quatro golos, mas eles também marcaram quatro golos contra nós. Temos de aprender com isto e perceber que o Porto tem de ser mais competitivo na cena internacional".
Para o FC Porto, começa uma fase de análise profunda. Jogadores como Pepê, Galeno, Evanilson ou Grujić terão de avaliar a sua continuidade num projeto que precisa de uma renovação na linha defensiva e de mais experiência em cenários de grande exigência. Jovens promissores como Aghehowa e Mora mostraram lampejos de promessa, mas a equipa exige resultados imediatos.