
O calor sufocante que se fez sentir no Bank of America Stadium, em Charlotte, não esmoreceu a ambição de um Benfica liderado pelo eterno Angel Di María e por uma tática irrepreensível, que garantiu uma vitória histórica por 1-0 sobre o Bayern de Munique, na terceira jornada do Grupo C do Mundial de Clubes de 2025. O triunfo não só garantiu o apuramento para os oitavos de final, como também a liderança do grupo, à frente da poderosa equipa da Baviera. Uma prestação memorável que marca uma viragem no projeto de Bruno Lage.
A equipa de Lisboa entrou no jogo com convicção e personalidade. Desde os primeiros instantes, assumiu o controlo da bola e pressionou alto contra um Bayern surpreendido pela intensidade do adversário. Foi precisamente esta pressão que deu origem ao único golo do jogo. Aos 13 minutos, um cruzamento da direita não foi intercetado pela defesa bávara, Gianluca Prestianni passou a bola com inteligência e Andreas Schjelderup rematou com frieza à entrada da área, passando por Manuel Neuer. Um golo que não só abriu o marcador, como também enviou uma mensagem: o Benfica não tinha vindo aqui para especular.
Após o golo, o plano de Lage tornou-se mais conservador, mas não menos eficaz. O Benfica concedeu a posse de bola, reforçou as suas linhas e optou pela solidez defensiva, especialmente importante dado o contexto climatérico. As temperaturas rondaram os 37ºC, com um vento frio superior a 44ºC, obrigando as duas equipas a dosear as energias.
Se há um jogador que personifica o carácter e a experiência do Benfica, esse jogador é Angel Di Maria. Aos 37 anos, o argentino foi o farol que guiou a equipa nos momentos de tensão. Com velocidade, inteligência e um pé esquerdo inquebrável, controlou o ritmo do jogo e ajudou a ligar o meio-campo aos avançados. A sua presença foi fundamental para aliviar a pressão sobre companheiros como Florentino Luís e João Neves, que fizeram exibições físicas admiráveis.
O Bayern, com jogadores como Harry Kane, Joshua Kimmich e Leroy Sané, reagiu após o intervalo e começou a inclinar o campo a seu favor. No entanto, deparou-se repetidamente com o guarda-redes ucraniano do Benfica, Anatolii Trubin, que teve uma atuação sensacional. O momento mais crítico aconteceu aos 60 minutos, quando Kimmich enviou a bola para o fundo das redes. No entanto, o golo foi anulado por fora de jogo posicional de Kane, que interferiu com a visão do guarda-redes.
O Benfica resistiu à última investida com inteligência e serenidade. Lage mexeu no banco de suplentes, fazendo entrar Morato e Kokçu para reforçar o meio-campo e manter o equilíbrio. O apito final provocou euforia na bancada lisboeta e entre os mais de 5.000 adeptos portugueses presentes em Charlotte.
Bruno Lage não escondeu a sua satisfação após o jogo. "Hoje o Benfica mostrou que pode competir com qualquer um. Esta vitória é o resultado do nosso trabalho coletivo e da confiança na nossa identidade. Não se trata de ter sempre a bola, mas de saber quando atacar e quando resistir", disse à imprensa.
Os jogadores, por seu lado, sublinharam a importância emocional da vitória. "Ganhar ao Bayern numa competição oficial é algo que vamos recordar para o resto das nossas vidas. Mas não acaba aqui. Agora queremos mais", disse o capitão Nicolás Otamendi.
Com esta vitória, o Benfica terminou a fase de grupos com 7 pontos, fruto de duas vitórias (frente a Boca Juniors e Bayern) e um empate. O Bayern, com 6 pontos, também passa aos oitavos de final, mas como segundo classificado. A equipa portuguesa vai agora defrontar o segundo classificado do Grupo D, que será decidido entre o Chelsea e o Esperanza da Tunísia.
A vitória frente aos alemães não tem apenas valor estatístico - é a primeira vitória oficial do Benfica frente ao Bayern, depois de vários jogos anteriores nas competições europeias - mas também reforça o projeto desportivo de Lage. A equipa conseguiu combinar jovens talentos (Schjelderup, Prestianni, Neves) com veteranos de classe mundial (Di Maria, Otamendi, João Mário) para formar uma unidade compacta e competitiva.
O Benfica, um dos clubes mais célebres do futebol europeu, viveu durante décadas na sombra do seu passado glorioso. Mas exibições como a de Charlotte mostram que o clube está a caminho de escrever uma nova página dourada. O Campeonato do Mundo de Clubes representa uma oportunidade única para regressar à elite, e os gigantes de Lisboa iniciaram a sua viagem com uma declaração de intenções.
O próximo desafio será ainda mais exigente, mas se alguma coisa ficou clara com esta vitória sobre o Bayern, é que o Benfica redescobriu o seu espírito de luta, o seu orgulho e a sua fome de glória. E isso, numa competição como esta, pode fazer toda a diferença.