
O Benfica despediu-se do Mundial de Clubes depois de perder por 4-1 no prolongamento com o Chelsea, num jogo para recordar. O jogo, disputado no Bank of America Stadium, em Charlotte, durou mais de quatro horas devido à interrupção causada por uma trovoada, e incluiu uma reviravolta heróica, decisões de arbitragem questionáveis e o adeus à Europa de uma das suas lendas: Angel Di Maria.
Apesar da eliminação, a equipa encarnada mostrou coragem, resiliência e dignidade num dos jogos mais exigentes da sua história recente. Em inferioridade numérica, com o tempo contra e um adversário fisicamente superior, a equipa de Roger Schmidt lutou até ao fim, deixando uma imagem que honra o seu brasão.
O Benfica entrou em campo com uma postura séria e organizada. Com João Neves e Florentino no centro do meio-campo, a equipa lisboeta resistiu bem à pressão inicial do Chelsea. Anatoliy Trubin estava seguro em frente à baliza, e a linha defensiva, liderada por Otamendi, manteve-se firme perante um ataque londrino com nomes como Palmer e Nkunku.
Sem grandes oportunidades na primeira parte, o Benfica optou por um jogo de transições rápidas, procurando surpreender pelos flancos com David Neres e Di Maria. No entanto, a falta de clareza nos metros finais impediu-os de transformar a disciplina tática em perigo real.
O equilíbrio foi quebrado aos 64 minutos, quando Reece James, com um livre magistral, bateu a muralha e Trubin, que só pôde ver a bola passar ao lado do poste. O resultado de 1-0 fez justiça ao domínio territorial do Chelsea, mas não ao empenho tático do Benfica.
Pouco depois, e quando o relógio se aproximava do minuto 85, a natureza alterou o guião. Uma trovoada obrigou o árbitro a interromper o jogo, evacuando jogadores e adeptos por razões de segurança. A paragem durou quase duas horas, mergulhando o jogo numa incerteza que afectou física e mentalmente as duas equipas.
Com o relógio a marcar as duas horas da manhã em Portugal, o jogo recomeçou. O Benfica, longe de se dar por vencido, encontrou um novo fôlego após o intervalo. Mas o guião voltou a correr contra os lisboetas: Gianluca Prestianni foi expulso por duplo amarelo aos 92 minutos, deixando a sua equipa com um homem a menos antes dos descontos.
Ainda assim, o futebol reservava mais uma emoção. Aos 95 minutos, um cruzamento para a área bateu na mão de Malo Gusto. O árbitro assinalou o pênalti sem hesitar, e foi Ángel Di María que, no seu último ato no futebol europeu, rematou com mestria para empatar a partida. O argentino, visivelmente emocionado, festejou aquele que poderia ter sido um golo histórico.
O 1-1 obrigou o Benfica a prolongamento. Fê-lo com um homem a menos, mas com o orgulho intacto e a moral em alta.
Nos trinta minutos extra, o Chelsea fez valer a sua superioridade numérica e física. O desgaste do Benfica, acumulado após a paragem e o esforço dos dez jogadores, era evidente. Aos 108 minutos, Nkunku apanhou uma bola perdida na área após remate de Palmer e bateu Trubin.
Com a equipa portuguesa mais ofensiva, Pedro Neto marcou seis minutos depois, finalizando uma jogada pela esquerda. O 4-1 final chegou aos 117 minutos, após um contra-ataque finalizado por Dewsbury-Hall.
O resultado, pesado e injusto durante os noventa minutos, deixou o Benfica sem prémio mas com a honra intacta. O empenhamento foi total. A imagem, irrepreensível.
"Fomos à luta. Demos tudo o que tínhamos e mais", afirmou Roger Schmidt após o jogo. O técnico alemão lamentou a expulsão e o impacto físico da paralisação, mas se mostrou orgulhoso do desempenho dos seus jogadores. "Competimos de igual para igual com um dos clubes mais poderosos do mundo. Isso diz bem do Benfica", afirmou.
Foi também uma noite de despedidas. Angel Di María, um dos maiores nomes do futebol argentino e do Benfica, despediu-se da Europa com um golo que ficará na memória. Nas palavras que proferiu após o jogo, agradeceu a passagem por Lisboa e confirmou que a sua próxima paragem será o Rosário Central.
A interrupção pela trovoada foi a sexta no torneio, gerando polémica sobre a idoneidade dos Estados Unidos para acolher o Mundial de Clubes e o próximo Campeonato do Mundo, em 2026. “Estas condições não são propícias ao futebol nem ao espetáculo”, comentou Trubin, questionando a marcação de jogos em alturas de risco meteorológico.
Apesar da eliminação, o Benfica mostrou que tem um plantel jovem e competitivo. João Neves, António Silva e Prestianni fazem parte de uma geração que, se bem gerida, pode trazer o clube lisboeta de volta à ribalta do futebol internacional.