
Após quatro anos de silêncio, Lorde regressa com Virgin, o seu quarto álbum de estúdio, lançado a 27 de junho de 2025. Este trabalho marca um ponto de viragem na sua carreira, afastando-se do tom luminoso de Solar Power para um território mais sombrio e pessoal. Com uma duração de 34 minutos e 11 canções, Virgin é apresentado como uma obra de arte que desafia as convenções da pop contemporânea.
O nome do álbum, Virgin, não é uma escolha casual. Lorde explicou que estava à procura de uma palavra que fosse simultaneamente desconfortável e provocasse reflexão. Inspirada em figuras mitológicas como Diana e Ísis, a artista redefine o conceito de virgindade como sinónimo de independência e auto-afirmação. A capa do álbum, uma radiografia da sua pélvis com um DIU visível, reforça esta narrativa de exposição e vulnerabilidade.
Musicalmente, Virgin afasta-se das produções polidas para abraçar um som mais cru e experimental. A produção principal ficou a cargo de Jim-E Stack, com contribuições significativas de Buddy Ross, conhecido pelo seu trabalho com Frank Ocean. Lorde descreveu os sons electrónicos do álbum como "máquinas que cantam e choram", procurando humanizar os sintetizadores. Para além disso, o álbum apresenta colaborações com artistas como Dan Nigro, Dev Hynes e Justin Vernon dos Bon Iver.
As letras de Virgin são uma janela para as lutas interiores de Lorde. Em "Hammer", a faixa de abertura do álbum, a artista aborda o renascimento pessoal depois de deixar de tomar anticoncepcionais, descrevendo uma explosão de energia e possibilidade. "Favourite Daughter" explora a sua relação com a mãe e a pressão para corresponder às expectativas, enquanto "Clearblue" aborda questões de fertilidade e decisões pessoais. Numa entrevista a Zane Lowe, Lorde confessou que esteve à beira de desistir da música, mas encontrou neste projeto uma forma de se redefinir e reafirmar a sua relevância artística.
A crítica recebeu Virgin com entusiasmo. A Rolling Stone descreveu-o como uma "ressurreição brilhante", salientando a sua introspeção e coragem. A Pitchfork classificou-o entre os oito álbuns obrigatórios do momento, elogiando a sua abordagem visceral e emocional. Para celebrar o lançamento, Lorde fez uma atuação surpresa no festival de Glastonbury, apresentando as canções de Virgin ao vivo pela primeira vez.
Virgin não é apenas um álbum; é uma declaração de intenções. Lorde desnuda-se emocionalmente, abordando temas que são muitas vezes evitados na pop mainstream. Com uma produção arrojada e letras profundamente pessoais, a artista neozelandesa prova que a pop pode ser um veículo de exploração e catarse. Numa paisagem musical saturada de fórmulas previsíveis, Virgin é um trabalho corajoso e necessário.