
A quinta jornada da Primeira Liga portuguesa confirmou o que muitos intuíam: este campeonato será uma corrida de resistência onde ninguém pode adormecer. O Porto continua firme após uma vitória trabalhada em casa contra o Nacional, o Sporting respondeu com uma vitória de caráter em Famalicão e o Benfica deixou dois pontos em Da Luz contra um Santa Clara que não se intimidou em nenhum momento. Entretanto, Moreirense, Estoril, Casa Pia e Gil Vicente aproveitaram a jornada para conquistar vitórias que alimentam as suas aspirações numa liga que ganha emoção semana após semana.
No Estádio do Dragão, o Porto venceu o Nacional por 1 a 0 em uma partida sem grandes alarde, mas que valeu seu peso em ouro. A equipe de Sérgio Conceição dominou a posse de bola e buscou constantemente abrir espaços diante de um adversário que se fechou com ordem e disciplina. O gol saiu no segundo tempo, após uma jogada combinada que desequilibrou uma partida mais difícil do que o esperado.
O importante, para além do brilhantismo, foi a mensagem: o Porto não cede terreno. Com esta vitória, os dragões mantêm o seu passo firme no topo da tabela e reforçam a sensação de que, este ano, a regularidade será a sua principal arma na luta pelo título.
Num dos jogos mais atraentes da jornada, o Sporting conquistou os três pontos em Vila Nova de Famalicão graças a um 1-2 trabalhado e sofrido. Os locais, que chegavam invictos, demonstraram porque se tornaram a revelação do início do campeonato: intensidade na pressão, coragem no ataque e confiança nas suas possibilidades.
No entanto, os leões mostraram profissionalismo. Souberam gerir os tempos, resistiram aos melhores momentos do Famalicão e aproveitaram a hierarquia dos seus homens ofensivos para assinar a vitória na reta final. O resultado tem um valor duplo: corta a série do adversário e reforça a moral do Sporting após a derrota da semana anterior frente ao Porto.
A grande surpresa do fim de semana aconteceu em Lisboa, onde o Benfica não passou do 1-1 contra o Santa Clara. O guião parecia simples: jogo em casa, adversário inferior no plantel e a obrigação de somar três pontos. No entanto, as águias voltaram a mostrar lacunas preocupantes na defesa e falta de contundência no ataque.
O Santa Clara, longe de se refugiar, jogou com coragem e conseguiu passar à frente no marcador, obrigando o Benfica a reagir. O empate chegou, mas nunca a sensação de domínio absoluto. O apito final deixou um sabor amargo nas bancadas: os de Roger Schmidt somam pontos, mas não convencem, e começam a ver o Porto e o Sporting a fugirem.
Se há algo que caracteriza esta Primeira Liga é a capacidade das equipas modestas de complicarem a vida a qualquer adversário. A quinta jornada foi um bom exemplo disso:
Estes resultados não só agitam a classificação, como reforçam a competitividade de um torneio onde cada jornada pode oferecer reviravoltas inesperadas.
No Estádio D. Afonso Henriques, o Vitória Guimarães venceu com autoridade por 2 a 0 o Estrela da Amadora. Foi um jogo dominado pela equipa da casa, com controlo no meio-campo e eficácia no ataque. A vitória coloca o Vitória numa posição privilegiada, olhando de perto para os três grandes e lembrando que, com regularidade, pode ser um animador sério da temporada.
Após cinco jornadas, o Porto e o Sporting marcam o ritmo. Os dragões, com vitórias sem excessos de brilhantismo, mas com profissionalismo, parecem dispostos a dominar a liga com constância. Os leões, mais irregulares no início, recuperam crédito com a vitória em Famalicão. O Benfica, por outro lado, afasta-se da liderança com o empate frente ao Santa Clara, e o seu ambiente começa a exigir uma reação imediata.
Atrás, equipas como Moreirense, Estoril, Casa Pia e Gil Vicente colocam-se em posições intermédias com aspirações legítimas. A parte inferior da tabela, entretanto, começa a preocupar equipas como Rio Ave ou AVS, que ainda não encontram a fórmula para pontuar com regularidade. A quinta jornada da Primeira Liga confirma que Portugal vive um campeonato aberto, competitivo e com margem para surpresas. O Porto resiste, o Sporting pressiona e o Benfica empata. E no meio, várias equipas emergem com força para mostrar que não há hierarquias intocáveis.
O campeonato mal começou, mas já se perfila uma batalha intensa, onde cada tropeço custa caro. Para o Porto e o Sporting, as tarefas estão cumpridas. Para o Benfica, por outro lado, as dúvidas aumentam. E para os modestos, a ilusão multiplica-se. Porque nesta liga, pelo menos por agora, ninguém pode desistir nem confiar no seu cartaz.