
O Benfica confirmou esta quinta-feira a esperada contratação de José Mourinho como novo treinador da equipa principal, num acordo que se estende até ao verão de 2027. A histórica instituição lisboeta não demorou a agir após a demissão de Bruno Lage, motivada pela surpreendente derrota interna frente ao Qarabag na Liga dos Campeões.
Mourinho regressa ao clube onde deu os seus primeiros passos como treinador há já 25 anos, num momento da sua carreira em que muitos viam o seu regresso a Portugal como uma possibilidade latente após a sua recente saída do Fenerbahçe. Aos 62 anos, o técnico português assume um desafio exigente: devolver o Benfica à estabilidade tanto no campeonato nacional como na Europa.
O contrato assinado com o Benfica inclui uma cláusula que permitirá a ambas as partes rescindir o acordo no final desta temporada, o que acrescenta um elemento de pressão tanto para Mourinho como para o clube. Além disso, a chegada de Mourinho ocorre num momento institucional delicado para o Benfica: em outubro está prevista uma eleição presidencial, o que acrescenta outra dimensão ao acordo. Alguns meios de comunicação apontam que a cláusula foi incluída precisamente a pensar nessas alterações na diretiva.
O Benfica não pode permitir-se um longo período de adaptação: o início da temporada foi marcado por irregularidades, tanto na liga como nos compromissos europeus. A derrota frente ao Qarabag foi o detonador que precipitou a saída de Lage e obrigou o clube a procurar soluções imediatas. Mourinho herda um plantel com história, talento e ambição, mas também com lacunas que terão de ser colmatadas para voltar a competir ao mais alto nível.
Entre os jogos que já se destacam como referências está o confronto da Champions contra o Chelsea, no próximo dia 30 de setembro, que servirá tanto para medir a força da equipa contra um adversário de topo como para testar a capacidade de Mourinho para incutir caráter. Além disso, a estreia na liga está marcada contra o AVS, num teste mais doméstico, mas igualmente crucial para começar a acumular confiança e pontos.
Mourinho traz, sem dúvida, uma experiência tremenda, conquistas internacionais, profundo conhecimento do futebol português e muita familiaridade com a pressão de treinar grandes clubes. Essa combinação pode dar o impulso necessário ao Benfica, que busca não só títulos locais, mas também protagonismo europeu.
Mas os riscos também não são pequenos: as exigências são altíssimas, a paciência é limitada e os erros custam caro. O facto de existir uma cláusula de rescisão no final da temporada deixa isso claro: não há mais margem para longas transições. Além disso, Mourinho chega num contexto de eleições presidenciais, o que pode gerar instabilidade se os resultados não acompanharem.
O regresso de José Mourinho ao Benfica não é uma simples jogada de mercado: marca uma aposta estratégica do clube na experiência, ambição e desejo de se reconectar com momentos passados de glória. Para Mourinho, significará voltar «para casa» em muitos sentidos, com a possibilidade de deixar uma marca importante se conseguir alinhar expectativas, plantel e resultados.