
A noite europeia voltou a deixar lições e sinais para os clubes portugueses. Nem o Sporting nem o Benfica conseguiram sorrir nos seus respetivos compromissos da Liga dos Campeões, e os resultados pintaram um panorama exigente para a sua continuidade na máxima competição continental. Enquanto o Sporting sucumbiu à ofensiva incessante do Nápoles, o Benfica naufragou pela sua própria pontaria perante um Chelsea organizado e pragmático.
O Sporting de Lisboa chegou ao seu compromisso europeu com a ambição de somar pontos fora de casa, mas deparou-se com um adversário dinâmico, rápido e com recursos ofensivos mais dialéticos do que os portugueses. O Napoli apoiou-se no seu instinto ofensivo e na inspiração de Rasmus Højlund, autor dos dois golos que fizeram a diferença.
O primeiro golo de Højlund surgiu aos 36 minutos, após uma transição rápida, acompanhada por um passe inspirado de Kevin De Bruyne, que criou jogadas decisivas no jogo. O Sporting, longe de se intimidar, reagiu aos 62 minutos com um penálti convertido por Luis Suárez, após uma mão na área cometida por Matteo Politano. A esperança instalou-se entre os visitantes, que procuraram o empate até ao final. No entanto, o avançado dinamarquês voltou a aparecer aos 79 minutos com um cabeceamento certeiro, deixando a resistência portuguesa sem resposta.
Apesar do golpe, o Sporting manteve a ambição, com ocasiões nos minutos finais e perto do desconto com um remate de Hjulmand que passou rente ao golo. Mas o placar não se alterou e o 2 a 1 encerrou a jornada para os portugueses.
Em resumo, a equipa de Lisboa foi capaz de se manter com dignidade, jogar as suas opções e oferecer momentos de lucidez, mas não teve a contundência necessária para neutralizar um adversário que foi mais preciso e letal.
O regresso de José Mourinho a Stamford Bridge (onde foi glorioso com o Chelsea) veio carregado de emoção e memórias. Mas a noite acabou por ser amarga para o seu Benfica, que perdeu por 1-0 contra a equipa azul após uma jogada infeliz na própria baliza.
O momento decisivo do jogo aconteceu aos 18 minutos, quando Richard Ríos desviou para a própria baliza um cruzamento da lateral de Alejandro Garnacho, lançado por Pedro Neto. O golo silenciou a torcida portuguesa, justamente quando ela mais buscava controlar o campo adversário.
O Benfica tentou reagir. Teve chegadas perigosas, remates de longe e combinações sugestivas pelas alas, mas foi incapaz de quebrar uma defesa sólida e concentrada do Chelsea. Nos minutos finais, o desgaste acumulado tornou-se visível. A sentença veio na forma de expulsão: João Pedro viu o cartão vermelho após receber dois cartões amarelos nos descontos, deixando o Benfica com dez jogadores.
O adversário londrino, comandado por Enzo Maresca, soube dosar os esforços, fechar espaços e explorar os momentos de desequilíbrio. As oportunidades dos visitantes foram escassas e esbarraram numa parede, enquanto o Benfica ficou com a sensação de que o jogo lhe escapou por detalhes próprios. O negócio do erro próprio é cruel: uma ação infeliz transformou-se em derrota, e o Benfica terá de se recompor rapidamente para não perder opções no grupo.
A leitura global da noite é dolorosa para os clubes portugueses. Nenhum deles conseguiu somar pontos e ambos mostraram fraquezas que podem ser fatais no contexto de uma fase de grupos onde a margem para erros é mínima.
O Sporting, apesar da derrota, mostrou caráter e intensidade frente a um Napoli agressivo e dinâmico. O empate teria dado um fôlego, mas o jogo passou por cima deles em momentos-chave. A equipa de Lisboa terá de otimizar a sua eficácia ofensiva e reforçar a ordem defensiva nas próximas semanas.
O Benfica, por seu lado, terá de lidar com a pressão adicional da derrota e o peso simbólico de que o tropeço nasceu das suas próprias fileiras. Mourinho terá de encontrar fórmulas para resgatar a confiança, a energia e a contundência de uma equipa que deixou escapar o jogo com as suas próprias mãos. Ambas as equipas portuguesas têm de acelerar. A Champions não perdoa e o calendário não dá tréguas.
A próxima jornada surge como um ponto de inflexão. O Sporting terá de viajar com o espírito intacto e a intensidade reforçada. O Benfica, cheio de urgências, precisará de respostas táticas e emocionais. No seu grupo, cada ponto conta. Na Champions, as margens estreitam-se a cada dia que passa. E para os clubes portugueses, o desafio é duplo: não só competir, mas fazê-lo com solidez.