
Sempre que Porto e Benfica se encontram, o país para. No domingo, 5 de outubro, o Estádio do Dragão recebeu um novo capítulo do Clássico com um ingrediente extra: o regresso de José Mourinho à casa onde construiu a sua lenda, agora no banco do rival de Lisboa. A presença do “Special One” deu um sabor especial a um jogo que, embora sem golos, foi um verdadeiro duelo estratégico.
As duas equipas chegavam com ambições diferentes, mas igualmente fortes. O Porto de Sérgio Conceição queria consolidar a liderança e prolongar o bom momento na Primeira Liga, enquanto o Benfica, ainda a ajustar-se ao estilo pragmático de Mourinho, precisava de pontos e confiança. O resultado foi uma partida equilibrada, mais cerebral do que espetacular.
O jogo começou com o Porto a tentar impor-se através da posse de bola — cerca de 51% — e de um meio-campo sólido, comandado por Varela e Froholdt. O Benfica, fiel à filosofia do seu novo treinador, optou por esperar e explorar o contra-ataque com velocidade. Lukebakio e Schjelderup procuraram as alas, mas sem grande sucesso na definição.
A primeira parte foi intensa, mas travada. O ritmo foi constantemente interrompido por faltas e interrupções. Ainda assim, o Porto criou as melhores oportunidades: um remate cruzado de Pepê que passou a centímetros do poste e um cabeceamento de Aghehowa que obrigou Trubin a boa defesa. Do lado encarnado, apenas um remate de Pavlidis ameaçou a baliza de Diogo Costa.
O árbitro Miguel Nogueira teve trabalho — seis cartões amarelos para o Porto e dois para o Benfica — num jogo onde a rivalidade se sentiu em cada disputa. Era um Clássico de nervos, onde ninguém queria cometer o primeiro erro.
O encontro foi também um embate entre dois estilos bem distintos. Conceição apostou num 4-3-3 ofensivo, com laterais projetados e largura no ataque. Mourinho respondeu com o seu tradicional 4-2-3-1 compacto, desenhado para fechar espaços e sair em transições rápidas. O equilíbrio foi total.
O Benfica apresentou-se disciplinado, com Otamendi a liderar a defesa e os médios Aursnes e Ríos a controlarem o jogo entre linhas. O Porto dominava a posse, mas esbarrava repetidamente na organização encarnada. Faltou imaginação no último terço e eficácia nas poucas oportunidades criadas.
Na segunda metade, o cenário manteve-se. O Porto insistiu pelas alas, tentando explorar a velocidade de Pepê e Sainz, mas a defesa do Benfica manteve-se coesa. Sérgio Conceição lançou Galeno e Evanilson para refrescar o ataque, porém o muro encarnado resistiu.
Nos últimos vinte minutos, o jogo tornou-se mais físico e tenso. Mourinho, satisfeito com o empate fora de casa, reforçou o meio-campo e fechou o setor defensivo. O Porto, empurrado pelo público, tentou o golo até ao fim, mas Trubin mostrou segurança e o marcador não se mexeu. O apito final confirmou o 0-0.
As estatísticas contam a história de um empate justo. O Porto rematou oito vezes, apenas duas com direção à baliza; o Benfica, quatro, com uma enquadrada. A posse de bola foi ligeiramente favorável aos “dragões” (51,5%), mas sem grandes ocasiões de perigo. Cada equipa somou três cantos, e o número de cartões mostrou a intensidade do encontro. Foi um jogo mais de contenção do que de ousadia, no qual ambos os conjuntos privilegiaram a segurança em detrimento do risco.
Apesar do nulo, o jogo mostrou que a luta pelo título será intensa. O Porto demonstrou solidez e capacidade de controlar o ritmo, mas careceu de inspiração ofensiva. O Benfica, por outro lado, confirmou a marca Mourinho: organização, pragmatismo e competitividade.
Os adeptos esperavam mais emoção, mas o encontro deixou uma certeza — a Primeira Liga está mais equilibrada do que nunca. Porto e Benfica continuam lado a lado, estudando-se, medindo forças e preparando o próximo duelo, que promete ser decisivo.