
O Benfica vive dias complicados na Europa. No Estádio da Luz lotado, o time lisboeta perdeu por 0–1 para o Bayer Leverkusen, em um duelo no qual teve posse de bola, chances e vontade… mas não teve gol. O tento de Patrik Schick, no segundo tempo, foi suficiente para garantir três pontos aos alemães, que se aproximam das oitavas de final, enquanto os portugueses continuam afundados na lanterna do grupo, sem nenhum ponto após quatro rodadas.
A partida foi um retrato fiel da campanha europeia do Benfica: domínio sem recompensa. Desde o início, a equipe de José Mourinho tentou impor seu ritmo com um jogo combinativo e vertical. João Neves e Orkun Kökçü comandaram o meio-campo, e as laterais foram constante fonte de perigo com David Neres e Dodi Lukebakio. No entanto, a defesa alemã — bem organizada e sustentada por um inspirado Matej Kovář no gol — frustrou repetidamente os ataques dos encarnados.
O primeiro grande aviso veio aos 20 minutos, quando Lukebakio acertou a trave após uma bela jogada individual. Dez minutos depois, Nicolás Otamendi cabeceou outra bola no travessão em uma jogada de escanteio, mostrando que o Benfica não estava disposto a desistir. Mas o Leverkusen, fiel ao seu estilo pragmático e vertical, esperou pacientemente pelo momento certo.
Na altura em que o Benfica parecia mais próximo do gol, veio o balde de água fria. Aos 65 minutos, um mau corte de Morato após cruzamento deixou a bola viva na área, e Patrik Schick não perdoou. O atacante tcheco, discreto até então, antecipou-se a Otamendi e cabeceou com precisão para abrir o placar: 0–1.
O golpe foi duro. Mourinho reagiu com três substituições simultâneas, lançando Marcos Leonardo e Tiago Gouveia para dar mais profundidade ao ataque. Porém, o Leverkusen mostrou solidez, recuou suas linhas e defendeu com inteligência a vantagem. O Benfica tentou até o fim, mas a ansiedade e a falta de pontaria voltaram a ser fatais.
A equipe alemã, comandada por Xabi Alonso, mostrou mais uma vez a maturidade de quem sabe competir na Europa. Com posse controlada quando necessário e uma defesa firme nos momentos decisivos, os alemães administraram o resultado com tranquilidade. Com essa vitória, o Leverkusen se consolida em posição confortável no grupo e reforça suas chances de avançar de fase.
Após a partida, José Mourinho não escondeu sua irritação. “Jogámos bem, criámos mais do que o adversário, mas um erro custa-nos o jogo. Na Champions, isso paga-se caro”, disse o técnico português. E deixou um alerta: “Se continuarmos a desperdiçar oportunidades assim, não há tática que nos salve”.
A falta de eficácia é, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles do Benfica nesta temporada. Nos quatro jogos da Champions, a equipe somou mais de 40 finalizações sem marcar um único gol. A frustração é evidente em um elenco que se esforça, mas não encontra soluções dentro da área.
Com zero pontos, o Benfica está à beira do abismo europeu. Para ainda sonhar com a classificação, precisa vencer os dois jogos restantes e contar com uma combinação favorável de resultados. Mas, mais do que matemática, o desafio é psicológico: recuperar a confiança e transformar domínio em efetividade.
A torcida lisboeta despediu-se da equipe com aplausos misturados a murmúrios de resignação. Porque o Benfica joga, mas não vence. E na Champions, onde os detalhes separam a glória do fracasso, isso basta para transformar um bom desempenho em uma amarga lembrança.
Em resumo, o Benfica voltou a mostrar que sabe controlar o jogo, mas não sabe concretizá-lo. E enquanto isso não mudar, a Champions continuará sendo um espelho cruel de suas carências: brilhante na forma, ineficaz no resultado.