
A 11.ª jornada da Primeira Liga portuguesa ficou marcada por emoções fortes, reviravoltas e contrastes entre os candidatos ao título. No Estádio da Luz, o Benfica voltou a comprometer nos minutos finais e deixou escapar dois pontos diante de um combativo Casa Pia. No Minho, o FC Porto cumpriu a sua missão com mais eficácia, venceu o Famalicão e isolou-se na liderança do campeonato.
O jogo em Lisboa parecia encaminhado para uma vitória tranquila do Benfica. Os Encarnados reagiam à derrota a meio da semana frente ao Bayer Leverkusen, pela Liga dos Campeões, e entraram determinados em redimir-se perante os adeptos. O Casa Pia, em crise de resultados e com nova equipa técnica após a saída de João Pereira, era teoricamente o adversário ideal para o Benfica recuperar ânimo. E, de facto, os primeiros minutos confirmaram essa expectativa.
Aos 18 minutos, Sudakov abriu o marcador com um remate em vólei notável, a aproveitar uma excelente assistência de Pavlidis, depois de Enzo Barrenechea já ter acertado nos ferros. O Benfica dominava o encontro e parecia ter o controlo absoluto do jogo. Apesar disso, o Casa Pia ainda dispôs de uma boa oportunidade antes do intervalo, mas Livolant rematou fraco para as mãos de Trubin.
Na segunda parte, os Encarnados ampliaram a vantagem aos 58 minutos, através de uma grande penalidade convertida por Pavlidis, após uma bola desviada na mão de um defesa adversário. O 2-0 parecia sentenciar a partida, mas o futebol, como tantas vezes, mostrou que nem sempre a lógica prevalece.
A resposta do Casa Pia surgiu de imediato. Dois minutos depois, um lance confuso na área do Benfica resultou num autogolo inacreditável de Tomás Araújo. Cassiano tinha desperdiçado o penálti assinalado por alegada mão de António Silva — decisão polémica e mal interpretada pela equipa de arbitragem —, mas o defesa encarnado, ao tentar afastar a bola, acabou por colocá-la na própria baliza. O erro desestabilizou o Benfica e deu ânimo ao adversário.
O Casa Pia acreditou, cresceu no jogo e, já nos descontos, chegou ao empate. Richard Ríos perdeu a bola no meio-campo, permitindo um contra-ataque de cinco contra três. Trubin defendeu o primeiro remate, mas Nhaga, acabado de entrar, aproveitou o ressalto para fixar o 2-2 final, aos 90+2 minutos. Um desfecho amargo para o Benfica, que volta a perder pontos em casa nos instantes finais — já tinha acontecido frente ao Santa Clara e ao Rio Ave.
Com este resultado, o Benfica mantém o terceiro lugar com 25 pontos, a três do Sporting e a seis do líder FC Porto. O Casa Pia, por sua vez, soma um ponto precioso e ocupa o 15.º posto, com nove.
Enquanto isso, no Estádio Municipal de Famalicão, o FC Porto confirmou o seu estatuto de líder. A equipa de Francesco Farioli venceu por 1-0, graças a um golo solitário do jovem médio Victor Froholdt, aos 36 minutos. O dinamarquês aproveitou um cruzamento de Francisco Moura e, num remate enrolado, colocou a bola no fundo das redes. Foi o seu segundo golo na prova, depois de já ter marcado ao Gil Vicente.
Os Dragões dominaram o encontro, desperdiçando várias oportunidades claras, especialmente por Samu e William Gomes. Ainda assim, mostraram maturidade para gerir a vantagem e garantir os três pontos. O Famalicão teve o seu melhor momento no início, quando Zabiri atirou ao poste num lance de grande perigo. Depois disso, o controlo pertenceu por completo aos portistas, que somaram a décima vitória em onze jornadas.
Com este triunfo, o FC Porto segue isolado na liderança com 31 pontos, mais três que o Sporting e seis que o Benfica, indo para a pausa de 20 dias com confiança reforçada. O Famalicão mantém-se no 5.º lugar com 19 pontos, confirmando a boa temporada, apesar do desaire. A 11.ª jornada deixou, assim, duas realidades opostas: um Benfica novamente ferido pela falta de concentração nos minutos finais e um FC Porto firme, eficaz e determinado a manter o comando do campeonato português.