
O Benfica sorriu finalmente nesta Champions. Fê-lo no cenário mais inesperado, o Johan Cruyff Arena, e perante um Ajax mergulhado numa crise desportiva que parece não ter fim. A equipa portuguesa impôs-se por 0-2 num jogo em que a eficácia fez toda a diferença: os lisboetas aproveitaram as duas grandes oportunidades que criaram, enquanto os neerlandeses, apesar de dominarem a posse de forma esmagadora, voltaram a falhar no momento decisivo.
A vitória representa os primeiros pontos do Benfica nesta fase de grupos, um alívio necessário após semanas de dúvidas. Para o Ajax, pelo contrário, a derrota reforça a sensação de que a equipa atravessa uma das épocas europeias mais sombrias da sua história recente.
O jogo mal tinha começado quando tudo se desfez. Corria apenas o minuto 6 quando o Benfica encontrou ouro numa jogada que parecia inofensiva. O guarda-redes do Ajax devolveu um passe comprometido para o coração da área e Samuel Dahl, atento e incisivo, aproveitou a indecisão para finalizar com precisão e silenciar o estádio. O 0-1 foi um duro golpe psicológico para a equipa da casa e um bálsamo inesperado para os portugueses.
O Ajax tentou reagir através do seu estilo tradicional: longas posses, circulação constante e pressão alta. O dado foi demolidor: mais de 60% de posse para os neerlandeses, mas sem capacidade para transformar esse domínio em perigo real. A equipa trocava a bola, elaborava, procurava espaços… mas o Benfica, muito bem organizado atrás, mantinha o plano sem falhas.
Cada aproximação portuguesa tinha um objetivo claro: finalizar. Esta diferença de mentalidade tornou-se evidente com o passar dos minutos. O Ajax acumulava cruzamentos sem remate, remates desenquadrados e combinações que morriam à entrada da área, enquanto o Benfica, muito mais vertical, ameaçava castigar cada erro do adversário.
O bloco defensivo luso foi crescendo ao longo do encontro. As ajudas laterais funcionaram na perfeição e as linhas mantiveram-se compactas, fechando qualquer tentativa de penetração neerlandesa. A sensação era clara: o Ajax tinha a bola, mas o Benfica tinha o controlo real do jogo.
A claque neerlandesa, paciente no início, começou a perder a tranquilidade quando a equipa ultrapassou o minuto 70 sem ter criado uma ocasião clara. As chegadas sucediam-se, é certo, mas sempre sem verdadeira ameaça. Nem o ataque posicional nem as transições funcionavam. Parecia que o Ajax precisava de um golo para acreditar, mas nem sequer esteve perto de o encontrar.
Foi um jogo que resumiu grande parte dos problemas que a equipa arrasta esta época: falta de contundência, erros na saída de bola, fragilidade emocional perante um golo cedo e uma alarmante ausência de liderança nos momentos decisivos. Tudo isto permitiu ao Benfica crescer e perceber que não precisava de muito mais para fechar o encontro.
Quando tudo indicava que o jogo terminaria pela margem mínima, o Benfica assinou o seu último ato de autoridade. Aos 90 minutos, Leandro Barreiro coroou uma jogada individual extraordinária, arrancando desde a zona frontal e deixando o seu marcador para trás com uma mudança de velocidade letal. O seu remate cruzado fez o 0-2 final e selou uma vitória tão simbólica quanto reconfortante para os lisboetas.
A celebração portuguesa refletiu alívio, convicção e um respiro há muito aguardado na competição. Para o Ajax, o golo foi o golpe final que resumiu a noite: tentar, insistir, dominar… mas sem nunca encontrar o caminho certo. O Benfica respira novamente. A vitória coloca a equipa de novo na luta por não ficar no último lugar do grupo e, sobretudo, devolve confiança num torneio onde tinha perdido o rumo. Para lá dos pontos, a equipa demonstrou maturidade tática e um compromisso defensivo que não tinha exibido nas jornadas anteriores.
A última jornada marcará o encerramento de uma fase para esquecer. O Benfica ainda pode dar um salto classificativo; o Ajax apenas aspira a fechar com dignidade um capítulo europeu que, por agora, deixa mais perguntas do que respostas.